Notícia publicada segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Iniciar a cabeça desta entrevista comentando sobre o relevante crescimento do LOTHLÖRYEN desde o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, ‘Raving Soul Society’, é deveras redundante. É só acompanhar a mídia especializada e ver como o grupo tem se destacado dentro deste meio. Mas este crescimento vem mais palpável ainda quando parte do público, e a aceitação do LOTHLÖRYEN nunca esteve tão boa.

Conversamos um pouco com Leko Soares e Daniel Felipe, guitarra e vocal respectivamente, um papo descontraído e sincero que mostra como o grupo está maduro e focado em seus objetivos que, assim como sua música, crescem para além dos Sete Mares. Confira!

O terceiro álbum ‘Raving Souls Society’ já foi lançado há algum tempo. Como o Lothlöryen sente a repercussão do lançamento hoje?

Daniel Felipe: Sentimos primeiro, uma receptividade muito boa pela crônica, com classificação sempre entre 9 e 9,5. Foi importante sairmos por completo da temática tradicional da banda, o que nos propiciou inúmeras possibilidades musicais, que foi um prazer imenso explorar e compartilhar com a galera. Dá pra dizer que esse é o álbum que consolida a qualidade da banda e nos gabarita para voos mais altos no cenário do Metal. E, quanto aos shows, a galera tem curtido muito a dinâmica e sonoridade das músicas novas, o que tem sido demais!

‘Raving Souls Society’ foi lançado pela Shinigami Records, um dos principais selos nacionais e reconhecido pelo apoio e seriedade junto às bandas nacionais. Como se deu o contato?

Daniel Felipe: Bem, a Shinigami conheceu o trabalho ainda na finalização das gravações e logo se empolgou com o que tínhamos conseguido fazer, incentivando a finalização do álbum e se comprometendo a uma audição mais acurada ao final. Após isso, veio a proposta, que é realmente séria e engajada em uma parceria que se mostra benéfica para os dois lados, com crescimento e envolvimento mútuos. Esperamos que a parceria perdure em futuros trabalhos, mas este ainda tem muito a render!

Um pouco antes do lançamento de ‘Raving Souls Society’ o Lothlöryen teve uma mudança traumática na formação: os vocais. Hoje já sabemos que Daniel Felipe não só segurou as pontas, como também trouxe muito de positivo para o grupo. Mas como foi naquele momento da troca? Vocês pensaram em acabar com a banda?

Daniel Felipe: A resposta tem dois pontos de vista inevitáveis, né? O do cara que entrou e o dos caras que receberam. Eu, Daniel, posso dizer que tudo rolou de uma forma muito fácil e natural, pois já era amigo da galera desde 2005 e mantinha contato constante com eles, especialmente o Leko, o que se intensificou em 2009, quando gravei os backing vocals no “Some Ways Back no More”. Daí, quando eles tiveram problemas, ajudei-os em uns shows importantes em 2010. Depois, veio o novo álbum e gostei muito da proposta de sonoridade da banda, de modo que sentamos juntos e finalizamos as composições. A partir daí, eles me subornaram com cerveja, doce de leite e pães de queijo e tudo rolou (risos).

Leko Soares: De fato, tinha tudo pra ser traumático, até porque na época que o Léo sumiu de vez, tínhamos um show marcado em Curitiba em um festival animal que era tudo o que estávamos querendo naquele momento. Ainda bem que a ideia do Daniel substituir o Léo naquele show foi automática e como tínhamos o Roça n’ Roll logo adiante, sabíamos que precisaríamos do Daniel mais um pouquinho. Como todo mundo sabe, esse “pouquinho” foi durando e hoje com certeza não precisamos mais ficar olhando pra trás.

Atualmente, como já foi dito, o Lothlöryen conta com os vocais de Daniel Felipe que também é vocalista da banda Rygel. Como funciona a administração de agendas e afazeres entre as bandas?

Daniel Felipe: Funciona assim: Todo mundo marca show e o Daniel se vira (risos). Vou dizer que minha vida se tornou uma enorme correria saudável com tudo isso, até mesmo porque ainda divido meu tempo na formação de ator/dublador. E as bandas possuem uma solidariedade e um carinho mútuo, que facilita as coisas. Claro que tudo gera uma competição saudável, já que as duas procuram sempre ter uma a outra como referência de crescimento, como irmãos com um ano de diferença (risos), e todos temos crescido e aprendido juntos! E como dificuldade, tenho em mente a proposta de apresentar um vocal diferenciado pra cada banda, mas é um desafio muito legal, que me tem feito descobrir inúmeras possibilidades musicais.

Leko Soares: Tem dado pra conciliar legal no geral. Mas só Deus sabe os malabarismos que temos de fazer pra não colocarmos água no Chopp de ambos os lados. O importante é que os benefícios são bem maiores que a engenharia (risos).

Uma característica marcante sempre foi a relação da banda com o público. Poucas bandas tem essa ‘intimidade’ com os apreciadores de sua música. Quando vocês perceberam que essa proximidade era necessária? Até que ponto isso implica no comportamento da banda?

Daniel Felipe: Essa proximidade se percebe desde logo, desde que você funda uma banda e se imagina tocando pra milhares de pessoas (risos). Um artista sem público é um artista incompreendido ou expressa de forma desagradável sua arte. Vale trazer a frase do mineiro Milton Nascimento “o artista tem que ir aonde o povo está”, afinal ele leva uma mensagem em sua arte! A banda sempre vai ter essa postura de conversar com todos e aproximar-se cada vez mais da galera. E que os apreciadores de nossa música tornem-se apreciadores, também, de nossa cerveja e do hidromel Valkyria Lothlöryen (risos), com moderação…

Leko Soares: Minha forma de pensar quanto a isso é simples: Nesses anos de estrada, geralmente os caras mais gente fina são os que estão mais estabelecidos, são aqueles que de fato são relevantes na cena. Partindo desse ponto, quem somos nós pra desprezar qualquer fã ou admirador da banda que seja. A banda vive pra eles, sem os fãs não somos nada, a inspiração esgota e tudo se esvai.

Um salto muito grande dado pelo Lothlöryen foi a mudança da temática Tolkien para algo mais complexo e ao mesmo tempo mais livre. Qual foi o momento do ‘chega’? Quando vocês viram que precisavam abranger outras linguagens?

Daniel Felipe: Bem, Tolkien é inesgotável, pelo universo imenso que criou. Mas, acima de tudo, havia em nós um anseio de tratar de outros temas, que levou a um cd temático. Já temos novas crônicas e contos pra narrar nos próximos álbuns e uma infinidade de assuntos que gostamos, por sermos amantes de História.

Leko Soares: Ser livre era a proposta da banda desde a demo de 2003. Nós nos prendemos um pouco no rótulo “Folk Metal” no “…of Bards and Madmen” que de fato é um trampo mais direcionado pra um estilo específico. Fora isso, nossa discografia sempre apontou para as direções mais diversas possíveis. A ideia de ser livre musicalmente e não ter ideia do tipo de som que vamos fazer no próximo trampo é o que me mantém animado de permanecer em uma banda de metal nos dias de hoje.

Ainda falando sobre as letras, a loucura é o tema central. O trabalho de pesquisa do grupo foi muito amplo e teve um resultado extremamente convincente. Como foi feito este trabalho? Quais outros assuntos a banda gostaria de abordar?

Daniel Felipe: Tínhamos inúmeros personagens insanos na História e o tema não chegou nem perto de ser esgotado. Alguns eram mais “interessantes”, ao menos naquele momento de nossas vidas, e vimos a possibilidade de extrair algum aprendizado do material selecionado, alguma conclusão que permitisse uma interpretação direcionada, mas ainda ampla por parte do público. Daí juntamos tudo nesse contexto. História sempre vai ser um tema fascinante, porque envolve cultura e tradições, o que traz variedade de influências musicais! E a literatura fantástica sempre nos propicia novas obras muito empolgantes, que temos vontade de musicar! Queremos fazer, pelo menos, mais uns 20 CDs (risos).

Leko Soares: Como professor de História, tenho temas favoritos que sempre me atraem e gostaria de trabalhar. Particularmente adoro as ideias dos iluministas e o furor que elas causaram. Também sou fissurado no Giordano Bruno que é um personagem histórico fascinante e pouco conhecido pelo grande público. Por fim, curto muito a biografia e o trabalho de poetas malditos e loucos como Charles Baudelaire, Rimbaud, Edgar Allan Poe dentre outros que adoraria pelo menos citar em nossas músicas.

Uma das novidades desta nova turnê é o formato ‘acústico’ que vocês oferecem como opção para os produtores, como surgiu a ideia? Quais são as diferenças em cima do palco? Este formato é apenas pontual, ou vocês pensam em gravar deste jeito também?

Leko Soares: A ideia do acústico na verdade surgiu em 2011 quando recebemos um convite para tocar no Jantar Medieval em Cosmópolis. Esse evento é promovido pela galera do Taberna Folk e é de fato, uma viagem de volta no tempo. Não dava pra gente recusar o convite e nos esforçamos pra tirar alguns sons medievais e dar uma roupagem diferente para as nossas músicas. No fim das contas agente curtiu tanto o resultado que mantemos essa alternativa para os shows. Nós pensamos sim em gravar algo acústico até porque as nossas músicas soam muito bem nesse formato e tocar em eventos mais voltados para a cultura Medieval e RPGísticas é uma das nossas metas daqui pra frente pois gostamos muito do clima que rola nesses eventos. Sem contar que a galera chapa pra caralho e o Hidromel é sempre de boa qualidade, (risos).

Quais os planos para o grupo no momento e em um futuro próximo?

Daniel Felipe: Tocar mais e mais, distribuir o álbum pelo exterior, o que pode ser anunciado em breve, e realizarmos nossa turnê europeia, que foi adiada em razão do lançamento do CD.
Aguardem que em breve vem um documentário com o ‘backstage’ de shows da Lothlöryen, com o que acontece nos bastidores dos bardos loucos, como viagens, confusões, fãs, bebedeiras e muito heavy metal!

Leko Soares: Bom, a gente vem de 25 shows em pouco mais de um ano do início da tour e isso é motivo de orgulho pra gente, considerando que somos uma banda underground, sem tour manager nem nada do tipo.
O que ficou nesse um ano de lição, porém, é que apesar dos momentos inesquecíveis que temos vivido na estrada, é hora de começarmos a selecionar melhor os shows. Tocar mais e mais, porém, com qualidade. Estamos nos concentrando também para outros projetos que são importantes na divulgação de uma banda. O Lothlöryen hoje tem um leque de possibilidades para explorar e não podemos deixar o bom momento passar. Temos clipes, gravações acústicas, parcerias a serem fechadas, composições novas e um documentário pela frente e a ideia é aproveitar esse bom momento da banda para produzir o máximo possível.

Contato para shows e merchandise: lothloryen.oficial@gmail.com

Sites Relacionados:
www.lothloryen.com
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